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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Gays de Livramento–David Coimbra

Eu li esse artigo, e achei ele excelente. Ele foi escrito essa semana pelo jornalista Marcos Coimbra da Zero Hora. Eu não posso dizer que concordo com tudo… Mas o principio que ele defende, a ideia por trás do que ele escreve, eu aprovo 100%. Como eu disse, eu não concordo com tudo que ele diz (casamento Gay, por exemplo), mas a questão abordada por ele, sobre o comportamento dos Gays, e a maneira como eles querem entrar em tudo, e esfregar na cara de todo mundo o estilo de vida deles, isso eu concordo plenamente!!! Leia… você vai gostar!!! (para entender melhor, é só substituir a palavra CTG, por Igreja).

Robert Lambeth

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Os gays de Livramento

Nunca finquei o salto da minha bota num CTG. Nunca entrei numa bombacha. Não sei andar a cavalo. Prefiro peixe a churrasco.

Sou a favor do casamento gay. Vejo homens andando de mãos dadas pelas calçadas perfeitas aqui dos Estados Unidos e acho extremamente civilizado. Sou contra qualquer tipo de discriminação sexual.

Feita essas ressalvas, gostaria que alguém me respondesse a uma questão sem qualificar a pergunta ou o perguntador, apenas para esclarecer minha mente obnubilada. A pergunta é a seguinte:

Por que esse casal gay de Santana do Livramento PRECISA casar-se num CTG?

Essas associações, os CTGs, foram feitas pra cultuar TRADIÇÕES. Esse é o objetivo. O troço se chama Centro de Tradições Gaúchas. O CTG é um clube, é uma entidade particular, privada, um CTG não é público, nem estatal. Eu, particularmente, não vou a CTG porque não tenho nenhum interesse em cultivar tradições. Eles, lá os gaudérios, eles têm.

Cerimônias de casamento heterossexuais são realizadas em CTGs, porque fazem parte das tais tradições deles. Casamentos homossexuais não fazem parte das tradições deles. Nem usar tênis. Nem cantar samba. Nem ser vegetariano.

Eu não sou vegetariano, mas eventualmente calço tênis ou canto sambas. Se quiser fazer isso, não o farei num CTG, porque nos CTGs eles não querem que as pessoas façam isso. É como ir a um casamento de camiseta. Todo mundo de terno, e eu de camiseta. Vou me sentir mal, e haverá quem ache que estou desrespeitando o casal em núpcias.

Se essas duas mulheres nubentes de Livramento fossem minhas amigas e me convidassem para o casamento delas, eu vestiria um bom terno e uma vistosa gravata, embora não goste de vestir ternos e gravatas. Faria isso por consideração a elas.

Mas elas pretendem realizar o casamento delas num Centro de TRADIÇÕES Gaúchas, embora, como já disse e todo mundo sabe, casamentos gays não façam parte das tradições gaúchas, mesmo havendo milhares, quiçá milhões de gaúchos gays, inclusive dançando a dança do pezinho nos CTGs.

Vou repetir: um centro de TRADIÇÕES é feito para que se cultuem as TRADIÇÕES. Entre as TRADIÇÕES não está entrar lá de tênis, cantar samba ou realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Logo, quem quer andar de tênis, cantar samba ou casar com alguém do mesmo sexo não fará isso num centro de TRADIÇÕES.

Quando uma juíza determina que um casamento gay seja celebrado num centro de tradições, ela está afrontando essas tradições, está afrontando a própria natureza do tal centro. Ela, a juíza, não está promovendo a tolerância, está fazendo uma provocação. Tanto é provocação que, aparentemente, gaúchos defensores das tais tradições preferiram tocar fogo no CTG a vê-lo abrigando um casamento gay. O que é uma vasta ignorância e um crime, é óbvio, mas dá bem a medida do quanto essas pessoas se sentiram insultadas.

Um casamento é um ato de amor, é uma cerimônia de congraçamento, onde deve haver harmonia e alegria. Mas esse casal quer celebrar sua união em meio à hostilidade, numa entidade em que não são realizados casamentos gays, precisamente porque lá não é um lugar de diversidade, de novidades ou modernidades: lá é um lugar de culto a tradições, e as tradições são sempre as mesmas, ou não seriam tradições. As tradições são até anacrônicas, porque não são mais desse tempo, são de outro, de um tempo que não existe mais. Só que há quem goste disso.

Por que, então, casar-se nesse lugar? Para quê?

Casem-se, gays. Casem-se! Vivam o seu amor na plenitude, andem de mãos dadas pelas ruas, como fazem os gays de Nova York e Boston, namorem, troquem beijos apaixonados, sejam felizes para sempre, e deixem os gaudérios com suas tradições, sua picanha gorda, sua milonga, sua dança do balaio e com seu passado que talvez jamais tenha acontecido. Eles estão lá no clube deles, cultuando as tradições deles, achando que o Rio Grande é o melhor lugar do mundo e que não existe homem mais homem do que o gaúcho. É para isso que serve CTG. Deixem os tradicionais com suas tradições, mesmo que sejam antiquadas.

Eles gostam! O problema é deles. O mundo já está cheio de conflitos, as confusões nos procuram. Para que ir atrás delas?

David Coimbra – 11/09/2014 – Zero Hora

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