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sábado, 19 de setembro de 2009

A Porta...

Hoje ao descer o corredor do hospital Santa Tereza (como tenho feito todos os dias), indo em direção da UTI (visitar minha mãe), ouvi um choro! Não era um choro comum, de tristeza e agonia, mas sim, um choro de alegria e jubilo! Ao me aproximar da UTI, percebi o grupo aglomerado na porta, e todos eles estavam jubilosamente olhando pelo vidro, o novo bebe que acabara de nascer. Eram os pais, avós e familiares, observando o primeiro banho do “novo bebe”. Todos choravam copiosamente... Inclusive o bebe! Que coisa linda. Ao me virar, para entrar na UTI, percebi pela primeira vez, que a única coisa que separa o berçário da UTI (neste hospital) é uma porta! Ao entrar no recinto gelado da unidade de tratamento intensivo, vi outro grupo... chorando! Eram pais, avós e familiares de um jovem, que estava passando desta vida para outra. Dois grupos, dois choros, dois sentimentos e a única coisa para separá-los era uma porta! Nesses últimos dias, eu e minha família, temos estado numa “montanha russa” emocional muito grande... cada dia uma novidade (às vezes boa, às vezes não). Isso tem gerado em mim, muitas ponderações: A vida é tão frágil! Ao olhar minha mãe, lutando pelo próximo fôlego, ainda ecoava em meus ouvidos, o som desses “choros”, (alegria misturada com tristeza)... e no meio deles: uma porta! A verdade é que nessa vida, o que separa as nossas alegrias, das nossas tristezas é pouca coisa! Salomão disse em Eclesiastes: “apliquei o meu coração a esquadrinhar e a informar-me de toda a sabedoria e de tudo que acontece debaixo do céu, e vi que tudo era vaidade (ou vazio)” (1:13). A vida é cheia de incógnitas, coisas que não entendemos, tristezas e alegrias, vida e morte, vitória e derrota, uns indo e outros vindo, uns do lado de cá e outros do lado de lá... da porta!
Robert Cleveland Lambeth

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